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Nada de virar faixa-preta. A aula de defesa pessoal traz recursos para se livrar de um possível ataque, por estar, simplesmente sozinha em um destino.

Em 2019, ainda parece maluco que uma mulher não se sinta segura durante uma viagem sozinha. Mas acontece.

A modelo Larissa Ylla, de 26 anos, já perseguida em um mercado durante uma viagem e até já tomou um beliscão dentro de um ônibus.

Para o Mateus Jorge da Silva, professor de defesa pessoal na academia Competition, em São Paulo, onde Larissa se matriculou, a autoproteção começa na postura da pessoa.

“A aula é menos combativa do que se pensa. É preventiva. As aulas ensinam os golpes, mas, mais do que isso, ajudam na atenção a tudo que se passa ao redor”.

Entre os conselhos de Mateus está uma atitude atenta. “Nunca sentar de costas para a porta em bares e restaurantes ou bobear com o celular na mão”, aconselha.

Não demonstrar fragilidade é outra tática para afastar mal-intencionados. “Se percebe alguém olhando demais, mude a postura. Puxe sua bolsa perto do corpo e olhe fixa e seriamente para a pessoa de volta. Se o cara pensava em abordar, ele vai desistir”, finaliza.

As aulas ajudam na agilidade e ensinam pontos certeiros do corpo para contra-atacar, se necessário, e conseguir fugir.

Golpes rápidos nos órgãos sexuais, na lateral dos joelhos e nas costelas ajudam a afastar o agressor, que, muitas vezes, jamais esperaria essa reação da mulher. E, claro, machucam bem.

A aula dura uma hora, feita em grupo, com exercícios para agilidade e alguns golpes. Os treinos em duplas são leves, com repetição, assim como acontece em outras lutas.

Como conta Mateus, a idéia é ficar automático a autodefesa em qualquer situação. “Não é aula de ataque, mas sim para saber sair daquela emergência com segurança.

A classe é mista. O aluno aprende golpes de várias correntes de luta, como KravMagá, o famoso método israelense, até golpes de jui-jitsu.

Na Competition, a aula está inclusa no plano mensal com mais aulas e musculação, e acontece na unidade da Av Paulista.

Vai viajar sozinha? Cinco conselhos práticos

1 – Horário de chegada e partida

Jamais chego tarde da noite em viagens se nunca fui ao lugar e se já li algo suspeito sobre o destino.

Na hora de comprar sua passagem de avião, de ônibus ou trem, não vá só pela mas barata, mas sim por uma em que você chegue de dia e consiga achar seu hotel com segurança.

Até mesmo porque, na maioria dos lugares, o transporte público tem menos opções à noite, e muitos táxis não trabalham. Então, evite.

Na minha última viagem a Milão, o ticket de trem mais barato custava 10 euros a menos do que outro, mas eu chegaria à cidade pela primeira vez às 23h30.

Optei por pagar um pouco mais, mas chegar no meio da tarde.

 

2 – Onde se hospedar

Até em destinos muito populares, como Paris e Barcelona, é preciso escolher atentamente a vizinhança. Todos os lugares podem ter uma vizinhança muito vazia, escura ou ponto de prostituição.

“Alguns bairros, apesar de lindos durante o dia, podem deixar a viajante insegura para caminhar durante a noite. Ela deve se informar com alguém que conhece muito bem o lugar”, aconselha Rodrigo Pires Fonseca, supervisor de operações na operadora Françatur.

Também leia tudo sobre o hotel ou casa que escolheu. No caso de aluguel de quartos, como no Airbnb, leia todos os comentários e certifique-se de que o anfitrião é confiável. Na dúvida, escolha um hotel, é mais impessoal.

3 – Costumes locais

Estudar antes costumes locais, religião e política do país, vale para todo viajante. Mas, para mulheres, é imprescindível, inclusive, atentar-se a códigos de vestimenta.

Os problemas podem ir de simples olhares masculinos que vão incomodar até abordagens inadequadas e assédio.

“Não dá para ir ao Egito e usar decotão com saia curta. Alguns destinos precisam de cuidados para se vestir, para atender aos códigos locais. Em Istambul, por exemplo, se não tiver a roupa adequada não entra nas mesquitas, que são maravilhosas”, completa Rodrigo.

4 – Quando contratar um receptivo

Em países de religião e de políticas rígidas, Rodrigo aconselha sempre a buscar um receptivo no local, para ajudar a organizar os passeios.

“E na hora de contratar, seja bem específica em como quer ser atendida, para não cair em uma turma de viajantes que não é a que procura”, diz. Caso clássico é uma senhora que, contrariada, acaba caindo em turma de adolescentes ou vice-versa.

Até destinos perto, quando você sai de capitais, é preciso pensar no receptivo.

O deserto do Atacama, no Chile, uma das viagens mais legais que já fiz, apesar de muito seguro, é imprescindível que você tenha um transporte do aeroporto até São Pedro, e uma agência que te ajude a fazer os passeios.

Outra opção é fechar com hotéis que têm absolutamente tudo incluso desde sua chegada, como o Tierra, uma das experiências mais maravilhosas no destino.

5 – Lista na mão

Tenha sempre uma listinha de contatos emergenciais, como gerente do banco, familiares, seguro saúde contratado,  escritos na bolsa.

Celulares falham, e, no hora do desespero, é confortante ter à mão contatos para ajudar a resolver algum perrengue.