Conheça a Normandia em sete dias de carro, em roteiro saindo de Paris

hounfleur andrea

Nem as marcas doloridas da destruição da Segunda Guerra ofuscam as belezas da Normandia, região cheia de charme no Noroeste da França.

Passei por estradas com plantações floridas de maçã, castelos e vilinhas coroadas pela arquitetura normanda, à colombages, feita com madeira, palha e argila. As moradas lembram casinhas de bonecas.

Em sete dias, fiz uma imersão na região da França. Cada quilômetro rodado mostra belezas únicas e cidadelas lindas como esta, abaixo, no meio do caminho.

Interior da França com casinhas colombage 😍 #france #frança #normandia

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Nossa primeira parada é no berço do impressionismo, Le Havre, cidade que foi inteira devastada pela Segunda Guerra, e depois reconstruída de forma belíssima.

Dica – a 70 km de Paris, antes de chegar a Le Havre, está Giverny, onde estão os jardins do pintor impressionista Claude Monet. Não deixe de conhecer

1º e 2º dia – De Paris a Le Havre (200 km)

le havre

Morada e inspiração dos maiores impressionistas do mundo, Le Havre, na França, é uma cidade portuária da região da Normandia que sofreu a destruição dos horrores da Segunda Guerra Mundial. 

O porto foi ocupado pelos alemães no começo da década de 1940. Com os bombardeios, quase 90% da cidade desapareceu. Desesperadas, as pessoas fugiram como puderam, mas ainda assim foram mais de 5 mil mortes de civis, entre as 80 mil vítimas.

Após os bombardeios, foi completamente reconstruída, e o arquiteto Auguste Perret teve o privilégio de projetá-la.

Perret tinha um desafio imenso: refazer a cidade francesa e acomodar 80 mil desabrigados

Ele reconstruiu Le Havre, que virou Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 2005.

Quem foi Auguste Perret?

Perret foi um dos pioneiros na utilização do concreto armado, técnica que ficou marcada no pré-modernismo. Nascido em 1874 em Ixelles, na Bélgica.

Para refazer Le Havre, o arquiteto utilizou do classicismo estrutural em concreto armado e pré-fabricado, tornando o local uma cidade-modelo. 

Outro pai do modernismo, o mestre brasileiro Oscar Niemayer, também deixou sua marca em Le Havre, um centro cultural na França, inaugurado em 1982.

O arquiteto presenteou terras francesas com o Le Volcan, que se destaca na beira do rio Sena, essa lindeza na foto abaixo, da Unesco, e no meu post do Instagram. 

Após a visita ao Volcan, muitos restaurantes estão lá do ladinho, para se deliciar com queijos e vinhos, como no caso do Restaurante Le Grignot. 

Niemeyer tem um centro cultural na Normandia, sabia? Fica em Le Havre @lehavretourisme

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O melhor crème brulée está no restaurante Le Grand Large, que fica à beira do mar em Le Havre. Mas já longe da obra de Niemayer.

A delícia vem como deve ser, pegando fogo. Mas cuidado, você mesmo terá que apagar as chamas na mesa mesmo.

Retrô

Um apartamento modelo criado por August Perret pode ser visitado pelos turistas. O mobiliário é o mesmo usado durante a reconstrução da cidade, entre 1945 e 1955, destinado para as vítimas de guerra.

O apartamento modelo parece ter parado no tempo. Até os objetos pessoais da década de 1950 estão presentes. Na visita, você sente como se alguém, daquela década, ainda morasse lá.

 A igreja de Saint Joseph, completamente destruída em 1944, também foi reconstruída por Auguste Perret.

A torre octogonal a 107 metros impressiona os turistas, assim como a “luz dourada”, dos vidros coloridos da artista Marguerite Huré .

igreja le havre

Entre no clima com o Pasino

Pertinho do Le Volcan, está  o hotel Pasino, cassino da cidade cujos quartos oferecem vistas privilegiadas e românticas para o Sena.

pasino le havre

Não deixe de jantar ao menos uma noite no Brasserie du Pasino, o restaurante do hotel que reúne delícias nomandas, como camembert derretido, o queijo tradicional normando, e profiteroles.

Arte por toda parte

Em Le Havre, alimente a alma com arte. No museu MuMa, você encontra uma das mais importantes coleções impressionistas da França.

O pintor mestre impressionista Claude Monet e seu professor Eugène Boudin viveram na cidade portuária.

Só quando você chega ao local é possível compreender as cores únicas do céu da Normandia, que serviram de inspiração para os artistas em suas obras

A meia hora de Le Havre está a pequena Étretat, cidade praiana com falésias que parecem retiradas de quadros.

O lugar também foi inspiração para artistas. Se preferir, há passeios que sobrevoam as formações esculpidas nas rochas, nesta foto abaixo. Simplesmente imperdível.

etretar

3º e 4ª dia – De Le Havre a Deauville (43 km)

Partindo de Le Havre, no caminho a Deauville, onde dormimos, a menos de 20 km você passa pela cidade medieval de Honfleur. Te que parar, reserve uma tarde toda.

Honfleur foi um dos poucos cantos da Normandia poupados pela destruição da Segunda Guerra. Visitar a cidade, que fica entre as cidades de Le Havre e Deauville é como voltar no tempo.

Perca-se pelas ruelas da idade média, cafés, bares e lojinhas charmosas.

A cidade está lotada de pequenas galerias de arte e foi onde nasceu o mestre do pintor impressionista Claude Monet, Eugène Boudin, em 1824.

hounfleur andrea miramontes

É uma verdadeira volta no tempo. Para almoçar, escolha um restaurante de frente para os barcos, onde estou na foto acima.

É possível passar um dia inteiro com a vista ao porto da cidade, chamado Vieux Bassin. As casas construídas aí, com vista para os navios, são as mais valorizadas.

Deauville (abaixo) está pertinho. E lá você vai poder vivenciar todo charme francês, o tal “art de vivre”.

Além do famoso festival de cinema que sacode a cidade, o balneário francês com praias lindas tem a arquitetura normanda preservada.

centro deauville

Tradicional, o hipismo tem Deauville como o coração do esporte no mundo. É lá que são disputadas as maiores provas.

Indico, no mínimo, dois dias na cidade. Como está de carro, nem é preciso ficar no centro. Excelentes hotéis ficam nas estradas próximas.

Na cidade, o mercadão que acontece no centro, com frutas e produtos fresquinhos, mostra as delícias que vão te engordar nesta viagem.

Das iguarias normandas, abuse dos queijos da região, o trio famoso: camembert, livarot e pont-l’Êveque. Aqui, caríssimos. Mas por lá, você consegue comer até uma deliciosa pizza com essas delícias raras no Brasil.

É forte, mas imperdível. Experimente calvados, aguardente de maçã. O mesmo que a cidra.

Mas esqueça o espumante vendido no Brasil. A bebida na França tem outro status, qualidade e sabor.

Castelo destilaria

É tradicional por lá, portanto, mergulhe na cultura. Visite o charmosíssimo Chateau Breuil, castelo do século 16 totalmente preservado que virou uma destilaria de calvados, a bebida normanda à base de maçã.

No passeio, além de relaxar no lindíssimo jardim de macieiras, com 22 mil árvores, você vai conhecer a produção da bebida e fazer degustação.

Atenção, chocólatras! Guardem os euros para levar para casa os chocolates recheados com licor.

5ª dia – De Deauville a Lisieux –30 km

Já que a viagem é de carro, a rota da sidra é outro passeio imperdível. A estrada forrada de plantações floridas de maçã e produtores da bebida fica na região de Lisieux, nossa próxima parada.

As estradas encantam. Pequenos produtores de queijos e da bebida espalham-se. Pare nos lugares para conhecer e provar as delícias.

liseux viagem

Em toda Normandia, não deixe de experimentar suco de maçã, tortas com a fruta e o tradicional crème brûlée. E ao passar por tudo isso, chegamos na cidade.

Lisieux é a cidade onde Santa Terezinha cresceu. É possível fazer a peregrinação por museus e igrejas que contam toda a história e até visitar a casa com jardim maravilhoso onde ela viveu.

O corpo da santa encontra-se em Liseux também. Peregrinos do mundo todo passam por lá para renovar pedidos e fazer agradecimentos.

6º dia – De Lisieux a Caen (68 km) 

Beleza normanda massacrada pela guerra, Caen ficou marcada mundialmente como o local do desembarque, o importantíssimo Dia D da Segunda Guerra. Veja a história.

Ao visitar as praias onde os corajosos soldados desembarcaram para lutar contra as forças de Hitler, o turista se depara com a dor da guerra.

caem

As estradinhas que ligam as praias são verdadeiros museus a céu aberto. Tanques, fotos e objetos de guerra reconstroem o horror pelo qual soldados e civis passaram com os bombardeios e mortes.

Mas, como Le Havre, a cidade renasceu. E o centro de Caen também merece visita, com castelo e construções históricas.

Reserve duas horas para a visita ao museu da guerra, no Memorial, imperdível.

7º dia – Ee Caen a Mont Saint Michel (mais 125 km)

saint michel

Depois da Torre Eiffel e de Versalhes, o monumento mais visitado da França é o Mont Saint-Michel.

A fortificação-castelo e abadia do século 11 mantém a belíssima arquitetura medieval. Impressiona e emociona.

Não pule a visita completa à abadia, acompanhado de guia, para ouvir todas as histórias e lendas que rondam o local.

Depois, passeie com calma na vilinha com restaurantes da idade média que oferecem delícias normandas. Vale passar um dia inteiro no monumento.

Com o título de Patrimônio Mundial da Unesco, o Mont Saint-Michel é um dos destinos mais clássicos da Normandia. A fortaleza serviu até de inspiração para a Disney, no castelo que aparece no desenho Enrolados.

Sete dias depois, é hora de voltar a Paris, completamente extasiada pelas histórias e cultura normandas.

Atenção, são quase 360 quiômetros pela frente, muitos deles em baixa velocidade. Então, nada de sair tarde se for o seu dia de pegar o voo de volta.

 

Foi um dia dramático! em Paris 😁❤️💙 . #tb #paris #travelgirl #france

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Andrea Miramontes - direitos reservados na autoria

Jornalista, viajante, curiosa, vegetariana e protetora de animais