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Uma festa gigante e gratuita da arte contemporânea madrugada adentro, com performances, show de luzes, música e interatividade.

Todos os anos, o Nuit Blanche deixa as ruas de Toronto, no Canadá, lotadas de gente em busca de instalações de arte até o amanhecer.

A celebração da cultura pela cidade é uma daquelas experiências que todo viajante deveria incluir na sua bucket list. Neste ano, aconteceu em 29 de setembro. E estive lá.

Nuit Blanche Toronto lotou as ruas da cidade durante a madrugada de 29 de setembro (foto: nbto.com)

Yonge-Dundas Square, a Times Square de Toronto, também estava tomada pelo Nuit Blanche (foto: nbto.com)

Várias instalações criativas tomaram espaços públicos e privados. Tudo acontece entre as 18h e 6h da manhã, com a cidade viva, lotada e iluminada.

Nuit Blanche, que em francês significa noite branca, nasceu em Paris, em 2002. Hoje, foi exportado para mais de 30 cidades pelo mundo.

Para Oscar Wilde, “o segredo da vida reside na arte”. Para mim, vai além, expressa o grito sufocado ou apaixonado, em músicas e imagens. Um a um, a seu tempo, pontua fases da nossa vida.

E é incrível como essa imersão na arte espalhada pela cidade, tão acessível e valorizada pelos canadenses, faz total sentido em Toronto, metrópole multicultural e inclusiva.

Desde 2006, primeiro ano do evento, quase 5 mil artistas participaram. A cidade teve um impacto econômico de 311 milhões de dólares canadenses, cerca de R$ 900 milhões.

Festa da arte contemporânea, Nuit Blanche, acontece desde 2006 anos em Toronto (foto: nbto.com)

E o Nuit Blanche neste ano?

Em Toronto, mais de 300 artistas canadenses e internacionais, participaram neste ano.

O tema foi a transformação da cidade pelas histórias pessoais e coletivas, além da evolução da metrópole e direitos conquistados pela população.

Instalação Nuit Blache Toronto deste ano, nas ruas da ciadade (foto: nbto.com)

Prefeitura aberta ao público para exibir arte durante o Nuit Blanche Toronto deste ano (Foto: Andrea Miramontes)

Em busca da expressão mais criativa, artistas montaram telões gigantes, criaram performances, músicas, monólogos, arte viva, dentro de prédios particulares e públicos, como o da prefeitura, que ficou aberto a madrugada toda.

As instalações convidavam as pessoas a participar. Microfones em praças ajudavam você a transformar sua voz em luz.

Refetores transformavam sua sombra em som. Louco, não acham? Pois a loucura ajuda a ativar a criatividade e enche a alma de conhecimento.

Imagens e performances por todas as esquinas quebravam tabus. Dentro de uma igreja, que visitei às 22h30, vi cartazes e bandeiras das conquistas da igualdade LGBT.

Dentro de uma igreja, bandeiras LGBT coloriam o altar, pois, você queira ou não, todos são bem-vindos! (foto: nbto.com)

Debaixo de um viaduto, bem ao estilo underground, o espaço foi  tomado por uma balada à la anos 70, com cartazes de uma linha do tempo para marcar as conquistas LGBT ao longo dos anos.

No Canadá, todos têm direitos iguais e são protegidos por leis específicas que proíbem manifestação de discriminação e ódio.

Podem se casar, adotar e ter acesso à fertilização in vitro. Sem drama. Todas as conquistas estavam demarcadas nessa instalação colorida e festiva.

Festa undergraoud relembra as conquistas do público LGBT no Canadá, no Nuit Blanche Toronto (foto: nbto.com)

(foto: nbto.com)

Pessoas X metrópole

Um dos curadores, Karen Alexander, selecionou uma série de obras dentro do tema “Todos temos história”.

No site, ele conta que as obras sob sua curadoria abraçam “lembranças latentes da imigração, direitos dos homossexuais,  desenvolvimento econômico, colonização e a força de cada um, contínua, pela autodefinição e autodeterminação”.

Instalação com malas de viajantes em um dos prédios de Toronto (foto Andrea Miramontes)

A jornada dos imigrantes em Toronto, de extrema importância para a cidade multicultural como é hoje, também foi homenageada com uma série de instalações.

Foram as obras  chamada de  “As coisas que eles carregaram”. Arte em grafites, dança, teatro e jogos de luzes refletiram sobre as histórias de imigrantes, que ajudaram a moldar o caráter da cidade.

Centro da cidade tomado por pessoas de todas as idades, na festa do dia 29 de Setembro, em Toronto foto: nbto.com)

Como chegar e participar

.Nuit Blanche:

Apesar de você ter 12h para visitar as obras espalhadas, nunca vai conseguir ver tudo. O interessante é se programar pela página oficial, estudar o mapa e definir um roteiro.

Para o ano que vem, a data ainda será definida, mas fica entre setembro e outubro, outono canadense, quando as cores de árvores estão mais vivas, em tons de amarelo e vermelho. Se bem que, no verão, a cidade é imperdível.

.Voo:

Viajantes encontram voo direto do Brasil para Toronto, operado só pela Air Canadá, com várias promoções de passagem durante o ano.

Dá para comprar com antecedências e conseguir excelentes tarifas.

.Visto:

Para entrar no Canadá o processo foi facilitado, desde o ano passado. Quem tirou o documento canadense nos últimos 10 anos , mesmo expirado, ou tem visto válido de turista nos Estados Unidos, não precisa tirar novamente.

Nestes casos, basta fazer a Autorização Eletrônica de Viagem (eTA) no site do governo.

Atenção. Não compensa pagar despachante ou preencher em outros sites que cobram o serviço. Vá direto ao link  acima. A taxa é supebaixa (7 dólares canadenses) e o processo, rápido.

Já quem não cumpre os requisitos acima tem que fazer o pedido de visto normalmente.

CN Tower preparada para encarar 12 horas de arte pela cidade de Toronto (foto: nbto.com)

Famoso skyline de Toronto com a CN Tower (foto: Pixabay)

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