Por três dias, acordei às 4h da manhã no frio da Patagônia, em Torres del Paine, no Chile, para um encontro ímpar: avistar puma livre na natureza.
Estive no Parque Nacional Torres del Paine, conhecido como “A Terra da Puma”. Esse tour é destinado à pessoa que já se deu conta que só é possível ver animais livres, na natureza. Pois isso é o que a preserva e protege sua vida natural.
Sem zoológicos, sem parques fechados, sem colecionadores e, principalmente, sem o absurdo criminoso de lugares que dopam animais para turista abraçar e alimentar. Livres.
No Chile, pumas são protegidos. Não é permitida a caça, tampouco cercar ou alimentar esses animais. O tour deve ser feito com guias especializados, como Victor Vega, da agência Vertice Travel, que organiza a viagem, bem como toda aventura no Chile.

Puma em Torres del Paine; foto Victor Vega / Chile Vida
“Para essa experiência é preciso que o guia conheça profundamente esses animais e respeite os protocolos de segurança, como manter a distância mínima de 50 metros do animal, não o cercar, manter o grupo unido e quieto, além de outras regras”, explica Victor Vega.
De acordo com Victor, ao avistar, o turista deve ficar imóvel e nunca se abaixar, para que o animal não o veja como presa, tampouco virar as costas para ele, pois um puma gosta de atacar de surpresa. Uma puma fêmea pesa entre 30 a 60 kg, e um macho grande, pode beirar os 100 kg. Cada um pode comer uns 5 kg de carne por dia.
“O tour é para poucas pessoas, gosto de trabalhar com três turistas, no máximo. Não é um passeio massivo, mas sim, superspecializado, e que deve durar, no mínimo, 3 dias, para aumentar as chances de avistar os animais”, completa Victor.
Fiquei hospedada em Puerto Natales, onde chegou minha conexão a partir de Santiago.
Tenho 4 hotéis para diferentes bolsos em Torres del Paine, além de restaurantes e lugares legais para visitar em Puerto Natales. Quer facilitar sua escolha? Chame nos comentários neste post do Instagram, que mando a lista.

Puma em Torres del Paine; foto Reprodução Vertice Travel
Madruguei com 3 °C
O frio era cortante, e em um dos dias, o termômetro cravou apenas 2 °C quando me levantei, às 4h.
Mas mesmo assim saímos felizes às 5h rumo ao arredores do Parque Nacional de Torres del Paine, a uma hora de carro de Puerto Natales. Em um dia, rodamos aproximadamente 400 km em busca do puma.
A idéia é ver o amanhecer nas montanhas, horário em que os pumas estão mais ativos, e, portanto, maior a chance de vê-los. O animal também sai da toca no final da tarde e à noite.
Não pense que o puma e seus filhotes vão chegar pertinho e brincar na sua frente, posar para foto, passar pelo grupo para aquela imagem perfeita. Não é isso que acontece. Pode acontecer? Pode, mas é ganhar na loteria. Geralmente, fotógrafos passam semanas de plantão nas montanhas para uma imagem perfeita, como estas da matéria.
Mas então como vejo os animais? Vamos lá. Aos primeiros raios de sol, a paisagem de Torres del Paine atordoa de tão incrível.
Victor Vega, nosso guia, avista o primeiro animal, quando o sol nem subiu direito. Mas só ele vê, nossos olhos, que não estão treinados para acompanhar o movimento no alto da montanha, sequer conseguem perceber.
Ademais, você estará hipnotizado com a paisagem patagônica com os primeiros raios dourados.

Puma em Torres del Paine; foto Victor Vega / Chile Vida

Puma em Torres del Paine; foto Reprodução Vertice Travel
Quando um puma é localizado, tudo fica tenso, porque o animal é imprevisível. Ao analisar a direção do gato gigante, Victor rapidamente nos conduz de carro até o melhor ponto para ter a chance de avistar.
Equipado com câmeras profissionais de superzoom, ele adianta a rota do animal em um ponto estratégico, e todos descemos do carro, quietos, para observar através das lentes. Foi emocionante ver a primeira puma brincar na montanha. Como sabia que era uma fêmea? Victor sabia exatamente qual era aquele animal.
Além do melhor guia, o grupo também faz toda diferença nesta viagem. Escolha bem o seu.
Você vai ficar vários dias por 6 a 7 horas dentro de um carro com essas pessoas, obeceder cada palavra do guia, e, nesta viagem, ter amigos e profissionais que combinam com você faz toda diferença.
Meu grupo não poderia ter sido mais perfeito (todos abaixo). Inclusive, tivemos a companhia de um superfotógrafo especializado em Patagônia, Timothy Dhalleine. Que privilégio o nosso.

Do meu lado, em sentido anti-horário Mari Bess, Elaine Vilatoro (@livemortravelmore), Victor Vega (@chilevida), Timothy Dhalleine ( @timothydhalleine), Juan Ignacio Rios Vilablanca ( @nriosvillablanca), Maria Isidora Cardemil (@isicardemil) e Juan Pablo Ozaki Dasté (@jpozaki e @vertice.travel) – foto Andrea Miramontes @ladobviagem
Durante os 3 dias, vimos os gatões em lugares estratégicos da região. Em uma das oportunidades, sem esperarmos, um puma atravessou a estrada perto do grupo. Quase surtamos e esquecemos que a regra principal desse tour: o silêncio.
Na volta, passamos por muitos outros lugares, como conto abaixo, e em um deles havia uma lojinha com o livro mais lindo da Patagônia, “Puma” do fotógrafo Nicolás Lago Silva.
Abaixo, veja algumas imagens desse livro.
Além do puma
Muitos outros mamíferos são observados em Torres del Paine, cuja natureza é bruta, profunda e rica. Vimos guanacos, mamíferos típicos da Patagônia, da família do camelo, que são o principal alimento do puma. Da dó, mas todos têm que comer e alimentar a prole, na lei natural.
Também avistamos o condor, a ave símbolo da Patagônia cuja envergadura de asas chega a 3 metros. Um condor pode passar dos 15 kg. Subimos a montanha cheia dessas aves, e você pode ver o passeio neste link.
É comum também avistar raposas e gambás e mais aves raras. Durante o tour com a Vértice, passamos de carro por montanhas nevadas gigantes e lagoas azul profundo, que formam paisagens lindíssimas de Torres del Paine, inclusive, em locais para se ter a vista para as famosas torres.

Ao fundo, as famosas torres ee Torres del Paine – foto Andrea Miramontes @ladobviagem
O tour especialíssimo fez parte do evento de aventura e sustentabilidade no turismo mais esperado do ano, a Adventure Travel World Summit (ATWS), da Adventure Trade Travel Association, que aconteceu em Puerto Natales, no Chile.
Além dos painéis sobre destinos, casos do turismo sustentável e aventuras pelo mundo, ATWS tem dia de aventura para abrir o evento, e estive em um tour para conhecer as geleiras Balmaceda e Serrano, em um passeio de barco incrível.
ATWS ainda conta com atividades culturais, como abertura com danças e comidas típicas da Patagônia, além da banda famosa Los Jaivas, para mergulhar na vivência chilena.
Veja algumas imagens de como foi o evento:

Day of Adventure nas geleiras Balmaceda e Serrano, durante a ATWS 2025 aconteceu em Puerto Natales, na Patagônia chilena – foto Andrea Miramontes @ladobviagem






