Passei uma semana em alto-mar sozinha, em um cruzeiro, e descobri que essa é justamente uma das experiências mais procuradas por viajantes. Quando achei que havia inovado, ouvi histórias de mulheres no sétimo cruzeiro desacompanhadas, além de uma passageira que emendou três cruzeiros sozinha de uma vez, sem sair do navio.
Viagens solo estão em alta. Ainda mais depois das mudanças de custo e criação de espaços e programas especiais lançados para o viajante que decide embararcar sozinho. De acordo com o relatório Global Travel Insight, até 2030 haverá um crescimento de 35% de viajantes que aventuram-se desacompanhados, o que pode representar 580 milhões de pessoas. A pesquisa foi publicada em 2024.
Em grandes cruzeiros, mesmo que você embarque sem ninguém ao lado, nunca estará só, tampouco se sentirá entediado. São muitos shows, restaurantes, teatro, produções de Broadway em uma programação intensa a bordo, em supernavios que contam com spa, salas e quadras de jogos, academia, enfim, um mundo de atividades que jamais deixam o viajante sonhar com solidão.
Muita gente ainda fica na dúvida sobre segurança, quando, na verdade, estar a bordo de um cruzeiro revela-se uma forma muito segura para conhecer vários lugares e até países diferentes. Isso porque a pessoa não precisa se preocupar com outros meios de transporte, vai dormir sempre na mesma cabine, em um navio inteiro monitorado, e tudo o que ela necessita estará a bordo, incluindo restaurantes, bares e shows.
“Fazer um cruzeiro é a forma mais segura de viagem para uma mulher sozinha. Todos os dias você pode explorar lugares diferentes e voltar ao navio, com 100% de certeza de ter um local seguro. E mesmo nas excursões em terra, que são reservadas pela equipe do navio, tudo é supervisionado e não há perigo” conta a norte-americana Stormy DuBose, que, em janeiro de 2026, esteva no Caribe por três semanas a bordo, uma vez que emendou três cruzeiros em um mesmo navio, chamado Encore, da Norwegian.
Tédio? Nunca. Entre outras atividades que Stormy aproveitou nas semanas a bordo estão spa, academia, piscinas, beach club para adultos, pista de corrida, restaurantes de diversas gastronomias e diversão, como shows exclusivos de tributo aos Beatles, em um pub chamado Cavern Club, como o que foi berço da banda em Liverpool, além de uma pista de kart que ocupa o último deck do navio.
Pensando na alta demanda para viagens solo, companhias criam espaços exclusivos e programas especiais a bordo. A canadense Sandra Tesoro, de 50 anos, embarcou pela primeira vez sozinha em um cruzeiro recentemente. “Estava com medo de me sentir estranha e solitária, trouxe livros para me distrair, mas nada disso aconteceu, mesmo porque, aqui na área onde estou hospedada tem eventos com outros viajantes sozinhos para nos conhecermos”, conta ela, que esteve hospedada em uma área inovadora chamada Studio, criada nos navios da Norwegian Cruise Line.
Um deck para o viajante solo
Os navios da companhia são os únicos a dedicarem parte de um deck a viajantes que estão sozinhos, em um espaço não só com cabines especiais, mas com lounges e cafés. A área chamada Studio, é também uma categoria de cabines solo, cujas reservas acabam em um piscar de olhos. Além de quartos individuais, esses viajantes têm lounges e eventos exclusivos, como happy hour e encontros.
“Mesmo pessoas que viajam acompanhados com amigos escolhem cabines solo. É uma forma de ter privacidade, cabine própria, sem ter que dividir o banheiro, e mesmo assim, aproveitar a viagem ao lado de uma pessoa querida no navio”, completa Estela Farina, diretora da Norwegian Cruise Line no Brasil.
Para entrar no Studio é preciso usar o mesmo cartão de acesso ao quarto. “É muito seguro, mesmo porque só os viajantes sozinhos têm acesso a toda área. Também achei excelente pagarmos por uma pessoa, como deve ser, e não por uma cabine dupla completa”, reforça Sandra.
Nos encontros solo, muitos viajantes podem se conhecer, descobrir afinidades e até combinar bares e jantares juntos. Com lounges moderninhos, sofás que abraçam e iluminação indireta para leitura e bate papo, a área tem cafeteria própria. Com o sucesso da procura, muitos navios ca companhia também incorporaram a área Studio, incluindo o novo navio Luna, que começou a navegar pelo Caribe em março de 2026.
Nesse navio, os lounges da área são ainda maiores, e as cabines têm espaço muito bem-aproveitados. Camas são maiores do que uma de solteiro, armários têm muitos nichos, para encaixar melhor a bagagem do viajante e, geralmente, há espelhos para visualização de corpo inteiro.
“Estou no meu sétimo cruzeiro sozinha. E sempre busco a reserva no espaço Studio. Além das cabines bem divididas, no espaço comum é um bônus poder conhecer pessoas do mundo todo”, relata Patrycia Arana, do Peru.
Quanto custa o cruzeiro solo?
Em uma pesquisa comparativa de preços de cruzeiros pelo Caribe em 2026, a cabine solo na área Studio pode custar até 35% a menos do que a cabine dupla. Na simulação de valores no site da companhia, uma viagem pelo Caribe, sozinho, com sete dias a bordo e parada na ilha particular da empresa nas Bahamas, Great Stirrup Cay, para dezembro de 2026, custaria a partir de R$ 8.700 para o viajante desacompanhado.
Ainda para coroar as férias perfeitas de quem resolveu embarcar sozinho em um cruzeiro, nos navios há outras áreas específicas para adultos, como lounges e beach clubs, a bordo ou em terra. Na ilha particular, viajantes sem crianças podem reservar uma cadeira no Vibe Beach Club, área de sossego absoluto, de frente para o mar, com espreguiçadeiras almofadadas e um restaurante para almoçar por lá mesmo, sem se incomodar com barulho.
Nos restaurantes, as reservas funcionam da mesma forma para qualquer viajante. Gastronomia de especialidades, como bistrô francês ou asiático fazem parte de pacotes a serem contratados à parte, pagos por pessoa, então, os valores são iguais, independentemente da cabine, Assim também é o pacote de bebidas, que deve ser solicitado à parte ou aproveitado quando acontecem ofertas que o incluem.
De acordo com Sandra, jantar sozinha foi o maior tabu da viagem solo. “Estou sempre com meus filhos e amigos, não estou acostumada a comer só, mas tive que enfrentar esse momento. Confesso que adorei, pois pude comer no meu ritmo, na hora que quero, a gastronomia que amo, em meio a muita variedade de comidas do mundo, o que não te deixa parar para pensar em sentir-se só”, avalia.





